Dez coisas que pouca gente sabe sobre mim...

Leiria Medieval- tirada este sábado pelo Miguel.

- Não sou grande cozinheira, mas faço umas moelas bem boas;

- Ajeito-me muito bem a cortar cabelos (ainda dou um jeito aos dos meus filhos);

- Sou muito paciente com os mais novos e os mais velhos (às vezes para as pessoas da minha idade nem tanto);

- Durante muito tempo suspirei para ter mais uns centímetros de altura, mas tenho aprendido a gostar de mim e agora acho que eu não teria tanta graça se eu fosse muito alta;

- Sei tirar cafés e imperiais:

- Emociono-me facilmente com livros, filmes, canções;

- Quase toda a gente pensa que eu sou muito alegre, mas não é verdade. Sou positiva, contudo não consigo deixar de andar triste muitas vezes;

- Tenho uma necessidade enorme que as pessoas gostem de mim ( ando a trabalhar nisto porque não me faz bem);

- Gosto muito de observar as pessoas, reparo no que vestem, se estão mais cansadas...Ah..E raramente registo a elogiar alguém quando traz/ tem/ fez algo especial...

- Gosto muito de dar abraços bem apertados às pessoas de quem gosto (eu acho que às vezes até aperto demais as minhas amigas, mas não quero mudar isso).


Envelhecer- o segredo


Este meu texto foi publicado este mês no jornal da minha vila e soube-me tão bem escrevê-lo.

Envelhecer - o segredo

O título é, talvez, enganador. Vem a propósito de eu ter feito anos há pouco tempo, e de me ter dado conta, meia apalermada, que faltam três anos para eu ser festeira do Sagrado Coração de Jesus (para quem não sabe é quando os habitantes da Maceira fazem cinquenta anos).

Apesar de na minha cabeça eu ainda ter a mania que tenho, no máximo, trinta e cinco anos, noto que os anos passaram quando reparo que o tema de muitas conversas com os meus amigos passa agora por falar da dor aqui e ali, de lares e casas de repouso, das maleitas dos pais, dos exames médicos com nomes difíceis de pronunciar. Conversas sobre jardins de infância, sobre a terrível fase das birras, sobre pediatras e afins? Só se for sobre os netos dos meus amigos.
Por vezes comparo a vida a um jogo de futebol e, apesar de a morte ser certa e de ninguém saber quando chega, dou por mim a fazer contas de cabeça: se eu chegar aos oitenta anos, tenho mais X de anos pela frente. Tenho então consciência de que já estou no segundo tempo do jogo, com o tempo a correr cada vez mais veloz, a escorrer-me por entre as mãos…E em campo estou eu, uma miúda desajeitada,  a tentar marcar golos,  com um árbitro, inclemente, a olhar para o relógio e a dizer que já falta menos tempo do que aquele que já vivi para dar, sei-o certo, o apito final.

Assumo então que me custa envelhecer, mas o que realmente me  preocupa e me causa um aperto no peito é ver envelhecer os que mais amo.  É impossível olhá-los sem me emocionar: rostos que sempre conheci, que sempre estiveram ao meu lado, que me apoiam incondicionalmente e que estão a envelhecer tão depressa... Conheço a história de vida  por detrás de cada sorriso, sei os momentos difíceis que viveram (e que vivem) e não consigo de deixar de fazer contas de cabeça  também para eles… Já viveram determinados anos, se viverem até aos X anos, ainda têm Y anos para viverem…Pois, a história do jogo de futebol é para todos e o árbitro da vida não distingue, sexos, credos, raças ou posições sociais.

No processo de envelhecer, o mais difícil mesmo é ver partir e aceitar a morte dos que amo.  Quanto aos cabelos brancos a atacarem em força a minha outrora farta cabeleira, quanto às rugas a não darem tréguas? Desvalorizo, pinto o cabelo, besunto-me com cremes e ando a aprender a não me importar. Só este me parece ser o caminho certo. Como ouvi há dias numa série: "Envelhecer é lixado, mas a alternativa é bem pior!"

A vida é um instante...


Uma festa tropical em que me diverti muito (usei o quimono do post anterior como vestido), um lugar bonito para tomar café na vila de Batalha (Hotel Vintage), um bolo maravilhoso para quem tiver arte para copiar, uma ida à minha praia de sempre...

Um bocadinho do meu Instagram- aqui

Às vezes tenho a mania #34











Gosto muito desta peça da Zara que uso como vestido ou como quimono com jeans. As fotos foram tiradas em Leiria no evento Shop on e apesar da qualidade das fotos (tiradas com o telemóvel) eu gosto muito do meu ar de miúda. Às vezes faz-nos bem arriscar um bocadinho na maneira como nos vestimos...Não o faço sempre, mas quando o faço mantenho sempre o lema: arriscar, mas não me esqueço que menos é sempre mais.

Este quimono/vestido ainda existe em algumas lojas da Zara e está em saldos.

Juntos ou afastados?

Foto de Luis Meneses.

Gosto desta foto que o Luís tirou a um casal, em Viseu. Ele acha-os afastados. Eu vejo-os juntos, acompanhados, a ler o que cada um gosta. Na minha cabeça ele lê a revista do Expresso enquanto que ela esta às voltas com o Expresso jornal. 
Não sei nada deles, mas imagino-os serenos, a resmungar algumas vezes, a sentarem-se separados, mas levantarem-se do banco e a sua mão ir ao encontro uma da outra por um acaso que o não é.

Assunto de peso- o meu antes, o depois, o durante e o agora


A balança para mim nunca foi grande companhia, mesmo sendo eu assumidamente viciada nela. Peso-me quase todos os dias (eu sei que não é correto) e nas férias, como não tenho balança, socorro-me da fita métrica (doentio, eu sei).
Nunca fui magra, mas já pesei muito mais do que peso hoje (cheguei aos 64 quilos para 1,50 m e não foi quando estava grávida). Antes de ter o Miguel, emagreci e tenho conseguido, mais ou menos, manter-me num peso que me permite sentir bem comigo. A verdade é que manter-me num peso saudável e que me permita continuar a usar os  meus vestidinhos não é tarefa fácil, mas é essencial para o meu bem estar e para eu me sentir mais segura.

Conheço mil  dietas, já experimentei quase todas e ontem fui de novo a uma nutricionista. Contudo, pela primeira vez,o objetivo não é emagrecer, mas sim aprender a comer de forma saudável. Por mais que na minha cabeça eu sinta que ainda ando nos trinta anos, o facto é que vou a caminho dos cinquenta e sinto que cada vez é mais difícil manter o peso. 

Eu nunca fui de excessos e para ter o peso que tenho digo não muitas vezes (mesmo muitas vezes) a bolos, petiscos, refeições calóricas. E, no entanto, nunca fui nem sou magra. Sei que acresce a isso o facto de eu não ser grande fã de ginásios e de o único exercício que faço ter por nome caminhadas ( já tentei, meninas, mas fartei-me de pagar mensalidades e de não usufruir do que pagava).
À medida que vamos envelhecendo, o metabolismo fica mais lento e sei que para manter o peso vou ter que me focar na alimentação e, ao que parece,  o meu organismo já anda tão habituado a uma restrição calórica que para aumentar a massa magra precisa mesmo de uma mudança ao nível de plano alimentar. 

Assim, apoiada pela paciente Diana Ferreira ( zona de Leiria), comprometi-me a levar em diante uma hercúlea tarefa: não ser tão exigente comigo, manter-me focada no que me faz bem, experimentar novos sabores, valorizar mais o facto de ser saudável do que ter X calorias e não ir em dietas da moda que não consigo manter por muito tempo.

Sou uma vaidosa assumida, mas acima de tudo quero manter-me saudável e ter uma melhor relação com a comida, sem me martirizar, sem me sentir culpada de cada vez que como um pastel de nata,  sem viver obcecada com o peso que marca a balança. Muita gente pode achar-me fútil por pensar demais no peso, mas acreditem que desta vez quero mesmo aprender a comer para me sentir saudável e em paz comigo. A verdade é que isso contribui não só para a minha saúde como também para a minha felicidade e, como podem ver pela foto tirada em 2002, eu, com dez quilos a mais, não tenho propriamente o olhar mais feliz do mundo.


Saldos- um vestido que valeu a espera


Andava a namorar este vestido desde que ele apareceu nas lojas. A minha intuição disse-me que ele ia chegar aos saldos e não me enganei. Exposto no cabide nem se dá por ele e, pelo menos na loja de Leiria, acho que por vezes na H&M a roupa nem "brilha" por estar tudo demasiado amontoado. O melhor é mesmo ir com tempo e experimentar.
Acreditem que este vestido cai mesmo bem e comprei-o por 16.99 Euros em vez de 29.99 Euros (online está mais caro). No entanto, para ficar perfeito, vai ter de ir à costureira (já vos disse que não passo sem ela) e sou capaz de lhe fazer umas adaptações ( cortar a manga, subir um pedacinho e vamos ver o decote...).


Vestido em tecido encrespado - Azul escuro/Bolas - SENHORA | H&M PT

H&M-aqui

Às vezes tenho a mania #33












Viseu.Tinha levado umas sandálias, mas preferi calçar os meus Keds confortáveis (precisam de reforma, mas este ano não os encontrei). O vestido é da Zara (saldos), mas tirei-lhes folhos das mangas para simplificar e uso-o de trás para a frente (a sério, assenta muito melhor).

E sou eu: três meios metros de gente, quarenta e sete anos, sem filtros nem fotos com retoque, branquela, a precisar de apanhar sol, mas com o melhor acessório que existe- o sorriso, claro!

Portugal é pequenino...


Ontem tomei o pequeno-almoço com os miúdos em casa. Rumámos a Aveiro onde almoçamos. Mais uns quilómetros e fomos buscar o Luís ao Aeroporto do Porto. 

Os quatro, surpreendemos os meus sogros em Viseu, juntamos-nos mais tarde a alguns bons amigos e vivemos um bocadinho dos Jardins Efémeros ( confesso que estava à espera de mais, mas segundo os meus amigos este ano estava mais pobre...).

Hoje, depois de almoçarmos em Viseu, regressámos à nossa casa. A Izzie, louca de saudades e alegria, estava à nossa espera. Estamos bem...estamos juntos!

Para seguir no Instagram- aqui


Trabalhos de casa nas férias? Não e não.


A mesa da sala de jantar tem estado assim...

Nas férias da escola os meus filhos podem fazer (quase) tudo o que lhes apetece. É quase contratual: durante o ano letivo trabalham, empenham-se, dão o melhor que são capazes e nas férias eu deixo-os descansar e não há livros de revisão de conteúdos, não há ter de ler o livro X ou Y, não há ter de almoçar sempre à uma hora...
Sempre fui assim, só tento controlar o tempo que passam em frente aos ecrãs (mas se, mesmo assim, a maioria das pessoas soubesse o tempo que eles gastam a jogar PC, PSP e a ver os  youtubers preferidos talvez não me achasse grande coisa como mãe) e tento que continuem a ler antes de ir para a cama. 
Nas férias, deixo-os relaxar e relaxo eu também. O Gonçalo vai fazer dezassete anos, o Miguel fez treze. Até hoje, e tento em conta os resultados que obtiveram na escola, não me parece que trabalhos de casa nas férias façam falta alguma.

Adeus, Gira aos Quarenta!

Madrid, janeiro 2010

As mudanças fazem-nos crescer e são, por vezes (ou muitas vezes?) necessárias...Ontem disseram-me que talvez fosse bom mudar o nome do blogue e fez/ faz sentido. Já há muito tempo que não me sentia confortável com o nome  Gira aos Quarenta e sempre que eu dizia o nome do blogue eu justificava rapidamente que gira era (também)  do verbo girar e que não era porque me achasse gira etc e tal... Por vezes é preciso que alguém fora do nosso mundo nos diga, sem contemplações, que já não somos a mesma pessoa de há oito anos. E eu já não sou, definitivamente,  a mesma mulher que, aos 39 anos, ganhou uns sapatinhos Manolo Blahnik e  criou um blogue com o nome Gira aos Quarenta.

Agora ando por aqui às voltas com um novo nome, um nome que tenha a ver comigo, com o que eu sou: uma miúda de 47 anos que vive numa aldeia, que gosta de moda e de velhos, que adora conhecer cidades grandes e dançar nos bailaricos, que é mãe dedicada de dois adolescentes, que gosta de ajudar os outros, que não sente (muitos) remorsos quando gasta um bocadinho mais num perfume, que sabe que é tanta coisa, mas  que também ainda se está a conhecer...

A seu tempo surgirá um novo nome, sem precipitações, sem pressas,  sabendo que não é improvável que daqui a oito anos eu talvez o mude de novo.


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Esta foto tem um ano, mas é uma imagem dele: raçudo, dizem... 


2004, país ao rubro com o Europeu de futebol (Portugal jogava contra a Holanda) Levantei-me cedinho, fui levar o Gonçalo ao Jardim de Infância, conduzi até ao Hospital de Leiria. Vai ser hoje, disse-me o meu médico. E foi. 

Hoje tenho a casa invadida por adolescentes e, apesar de uma ligeira tristeza que me assombra o olhar  e o coração por o Luís não estar presente, não baixo os braços nem tiro o sorriso do rosto. Preparar festas de anos não é novidade para mim, pois sempre festejamos os aniversários cá em casa. Nunca complico muito,  e vou para a cozinha e preparo o que eles mais gostam: pizza, nuggets, folhadinhos de salsichas, bolo de chocolate e de bolacha, mousse de Oreo e fruta pronta a petiscar (morangos, uvas e cerejas...). Depois, é dar-lhes (alguma) privacidade e ir repondo sumos e água:).

E, sem ele dar conta, olhá-lo senti-lo feliz. E sentir-me eu também tão feliz. 

Fazes treze anos meu Miguel lindo, e faz hoje treze anos também que eu agradeço a Deus ter tido a fortuna de ser tua mãe.

A vida é um instante...


Vantagens de se viver em aldeia: receber flores e legumes e pagar com sorrisos...
Vantagens do filho mais novo andar em torneios de futebol: aproveitar para conhecer  melhor os lugares onde ele vai jogar...
Desvantagem de ser pequenina: encontrar a peça que esperava com um preço de saldo muito bom e descobrir que ficava enorme...
Vantagens dos saldos: comprar um fio que gostamos muito mais barato...
Vantagens do gel de duche concentrado: não precisamos de andar com peso extra e ajudamos o ambiente (o cheiro é maravilhoso!)...
Vantagens de ser positiva: descobrir que a vida tem sempre algo de muito bom à nossa espera!

Uma família com esperança...

Principalmente, ao fim-de-semana, ter tantos voos para Inglaterra leva-me a querer muito fazer-me à estrada, entrar no Aeroporto e ir ter com o Luís. Mas depois respiro fundo e penso nos exames que o Gonçalo está a fazer, na festa de anos do Miguel que terei de preparar, do tanto trabalho que ainda me espera...
Quero muito voltar a Manchester e Liverpool...e tirar fotos nesta praia tão diferente das nossas...







As fotos são do fotógrafo do costume, Luís Meneses.


A vida e a morte estão lá fora



Chegámos ontem das festas da vila e ficámos os três, estarrecidos, petrificados, a olhar para a televisão. Hoje de manhã, as notícias ainda eram mais tristes e continuámos a olhar para a televisão.

Depois eu levantei-me e fugi da televisão. Disse aos meus filhos que não demorava. Fui ao supermercado mais próximo e comprei águas e barritas que entreguei no quartel dos bombeiros da minha freguesia.

Sou uma mãe normal, não sou melhor do que ninguém, mas sei que há um caminho a seguir: educar pelo exemplo. Podemos assistir passivamente à tragédia, podemos deixar que as lágrimas rolem, podemos sentir uma infinita tristeza. Contudo, é preciso levantar e re(agir)... a Vida e a Morte estão lá fora.




3 peças que eu comprei na Zara e não me arrependi

Esta estação comprei na Zara uma camisa, um top e um vestido (dá também para usar como quimono). 
Se quiserem aproveitar, procurem-nas nos Saldos ( fala-se que começam a 23 de junho).




Sou professora e (ainda) gosto muito...



Ontem, falava eu com uma das melhores pessoas e professoras que eu conheço, minha Coordenadora de Departamento há muitos anos, e eu dizia-lhe que não gosto muito de escrever no meu blogue sobre a minha profissão. E, contudo, é na escola que passo muitas das horas do meu dia, em casa passo muito do meu tempo com trabalho e, por mais que eu tente, à noite quando me deito, a escola ocupa também muito dos meus pensamentos.
O meu blogue é como se fosse um espaço onde posso falar do que eu sou, da forma como tento encarar a vida, do meu lado mais "coquete", é um espaço onde tento que a mulher que eu sou não se misture muito com a Stora Sofia, ou DT, ou Teacher...como passo tantas horas a ser chamada.

E, no entanto, hoje, dia que não tenho aulas e estou prestes a terminar mais um ano letivo (mas ainda falta), sinto vontade de escrever sobre o que eu faço...

Sou professora há vinte e quatro anos e gosto muito de ser professora. Terminei o curso com boa nota, fiquei efetiva no primeiro ano em que concorri (outros tempos), leciono na mesma escola há vinte anos e a cinco minutos de casa ( sou uma sortuda), estou no terceiro escalão (são dez), ganho mais do que a maioria das mulheres que me rodeia, mas menos do que pensaria ganhar quando concorri, como primeira opção, para um curso que me permitisse ensinar.

Eu sei o nome de quase todos os que foram meus alunos (quando os cumprimento pelo nome já notei alguns olhares de espanto), tento nunca desistir dos alunos mais fracos, procuro ser justa, não me consigo desligar da vida pessoal de uma criança e focar-me apenas nos resultados, tento motivá-los, ser disponível, esforço-me para ensinar o melhor que sou capaz... Mas não sou perfeita.

Dou por mim a  repetir as mesmas frases de aviso vezes sem conta, às vezes comparo as turmas e sei que eles detestam (a turma X vai mais adiantada na matéria), já fui injusta muitas vezes e chamei a atenção de quem não devia, já disse palavras que magoam, já me arrependi por não ter agido da melhor maneira...

Nestes mais de vinte anos, vi perder muito do prestígio que a profissão tinha, perdi poder de compra, já passei por muitas reformas no ensino, vi cada governo tomar opções diferentes sem avaliar convenientemente o que foi feito, já fiz greve muitas vezes, já participei em manifestações, já me zanguei por ter que preencher tantos documentos... E, no entanto, vinte e quatro anos depois,continuo a sentir-me professora e a gostar de o ser.

Agora, se eu voltasse a 1989 e concorresse de novo, se voltaria a colocar um curso de ensino em primeiro lugar...Bem, isso são outros assuntos. 

E  a verdade é que, se nós soubéssemos o que se passaria antes de fazermos opções, a vida, tenho quase a certeza, não teria metade da graça.

Fintar o medo...


No outro dia perguntavam-me se eu não tinha medo pelo facto do Luís estar num país onde estão a ocorrer tantos atentados. Respondi que sim, que por vezes tenho medo, que fico com o estômago às voltas, que fujo das notícias que passam na televisão. E, contudo, a maioria das vezes não tenho, nem me lembro de tal.

Receio que possa ser pelo motivo de que, infelizmente, os atentados sejam algo que, de tão frequentes, eu possa banalizar. Porém, penso que é também uma maneira de me/nos protegermos. Não é possível viver em permanente estado de alerta, não podemos efetivamente viver se não temos coragem de abrir a porta da nossa redoma, é impossível aproveitar  a vida pensando constantemente que a morte está à espreita. De facto, sabemos que a morte está mesmo à espreita desde o dia que o nosso choro irrompe o mundo. E não há poder nem dinheiro que nos salve do que é certo.

A minha maneira de fintar o medo é esta, não conheço outra estrada e, para já, não há atentado que me desvie do caminho. A vida espera-me, espera-nos, e eu agradeço cada momento e  tento viver o maior número de momentos felizes que conseguir. Se sou sempre assim? Não, mas tento. E ter dois filhos ao lado, que me olham à procura da minha reação sempre que passa algo de terrível na televisão, também me dá alento para isso. 

Como diz o poeta, o mundo avança e eu sei que se deixar que o medo me domine, eu apenas existo. E o que eu quero mesmo  é Viver. E quero que os meus filhos não tenham medo da vida. Não há vidas perfeitas e não há um mundo perfeito. Este é o que temos. Saibamos vivê-lo.

As fotos que vos deixo são do Luís ( com o telemóvel) e foram tiradas na domingo seguinte ao atentado de Manchester: se por um lado temos na foto tirada em Chester a consciência do terrível atentado ocorrido em Manchester, por outro lado, na Maratona de Liverpool, temos o mostrar que a vida tem de prosseguir.





A vida é um instante...



Acho que foi a primeira vez que estive tanto tempo sem escrever no blogue. Vou tentar que não aconteça de novo...