Eu e a greve, a greve e eu.



Factos:

 - Eu fiz greve, mas passei a manhã na escola a dar apoio de português aos meus alunos do sexto ano;

- Não fiz greve de ânimo leve;

- Muitas vezes cansa-me o discurso dos sindicalistas que me representam;

- Sou professora há vinte anos, estou no 3º escalão e ganho pouco mais de mil euros;

- Tenho emprego e neste país só por isso já deveria estar feliz;

- Não são os testes que me cansam, mas todo o trabalho burocrático que ser professor hoje envolve;

- Nunca pensei mudar de profissão e hoje em dia penso nisso muitas vezes;

- O melhor da minha profissão é o que aprendo com os alunos;

- Educa-se pelo exemplo e houve aula de educação cívica cá em casa;

- Faz-me (alguma) falta o dinheiro que não vou receber pelo dia de hoje.

E sim, hoje fiz greve, e farei greve às avaliações. Porque há momentos na nossa vida em que não podemos virar a cara à luta, porque não basta apenas dizer que temos de lutar pelos nossos direitos, porque me entristece o que estão a fazer à escola pública, porque o Ministério da Educação não ouve alunos, pais, professores, e porque, acima de tudo, estou de consciência tranquila a lutar por mim e por tanto.




14 comentários :

  1. Eu não fiz greve porque não estou a trabalhar, mas teria feito se estivesse. E também estaria de consciência tranquila.

    Já conhece este texto que uma aluna do 12º ano escreveu, Sofia?

    http://alheiaatudooutalveznao.blogspot.pt/2013/06/roubei-este-texto-uma-aluna-do-12-ano.html

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  2. Força a todos os professores. Hoje fizeram o que muita gente já devia ter feito neste país, mostrar aos nossos governantes que as pessoas devem lutar pelo que acreditam.
    Aos estudantes apenas digo que realmente é mau estudarem e depois não acontecerem os exames. Mas também gostava de os alertar, para o caso de ainda não terem reparado, que a sociedade portuguesa está a atravessar grandes dificuldades e se calhar alguns dos alunos que hoje disseram cobras e lagartos desta greve, amanhã vão dizer que este país não lhes garante isto e aquilo. Vão à luta e vejam o que se está a passar neste país...

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  3. viva
    não acredito que um professor com 20 anos de carreira só ganhe pouco mais de mil euros. pura demagogia
    paulo sousa

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    1. Não acredita? Vá à secretaria de uma escola confirmar. É fácil.

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    2. Demagogia a sua... será falta de informação. Dou aulas há vinte anos recebo de vencimento líquido +/- 1250,00 €. Gasto +/- 350,00 € em combustível para me deslocar são 126 km (2*63 km), mais refeições fora de casa. Sobram pouca mais de 800,00 €. Se não acreditar, tire uma licenciatura via ensino e venha dar aulas, assim poderá falar, escrever e opinar sobre assuntos ligados à docência. Cumprimentos.

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    3. É, os professores não são assessores dos ministros. Ou pensava que sim? Em Portugal toda a gente opina sobre Educação, mas poucos se informam. É triste!

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    4. Gostaria de confirmar o que foi dito anteriormente, também eu sou professora há 20 anos, efectiva há 17 anos, estou no 3º escalão, o meu salário ilíquido é de 1800€ e o líquido de 1280€ e também gasto cerca de 300€ mensais para me deslocar para o trabalho a 140km de casa.
      Mas como estes ignorantes da opinião pública dizem "os profs ganham uma fortuna!"

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  4. Como diz o ditado: "a união faz a força"! bjs e bom dia amiga....

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  5. Paulo Sousa... Demagogia??? Só se for sua. Tenho 21 anos de serviço, sou efetiva, a minha vaga está negativa e ganho 1300€. Quer ver o recibo?

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    1. Muito bem ! Estou exactamente na sua situação e ganho o mesmo. Estes ignorantes de nariz arrebitado deviam primeiro pesquisar os salários dos profs antes de mandar bocas. Também estou disponível para colocar foto do meu vencimento!

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  6. Gira, se não lutarmos pelos nossos direitos, como poderemos lutar pelos dos outros? Se não tivermos amor próprio, como poderemos gostar dos nossos alunos? Se não defendermos a nossa dignidade enquanto profissionais e pessoas que valores transmitiremos aos alunos? Infelizmente as pessoas não querem saber quem contacta com os seus filhos todos os dias; a maior parte só quer sabê-los "guardados" e pouco mais! A maior parte dos que se insurgem contra o facto dos alunos não terem feito um exame, como se isso fosse um caso de vida ou morte ( e, não o fizeram por culpa do ministério que poderia tê-lo adiado dois dias se estivesse muito preocupado com os alunos) são os mesmos que pouco se importam com as condições que os seus filhos têm nas escolas durante anos e jamais fizeram alguma coisa para os defenderem, defendendo o seu direito a uma educação de qualidade. Os professores preocupam-se com os alunos sim! São eles , muitas vezes, que detetam situações que os pais nem notam e tentam resolvê-las; são muitas vezes eles que "matam" a fome aos alunos que chegam às escolas sem nada no estômago e assim ficariam todo o dia; que lhes arranjam roupa e até alimentos para levarem para casa, porque os seus pais perderam o emprego e, pouco têm para lhes dar... Onde está a preocupação destes que agora vertem lágrimas de crocodilo, pelos direitos destes jovens a uma infância e adolescência com qualidade, com alimentação saudável e suficiente para a obterem bons resultados escolares? Onde está a preocupação deles em relação às crianças com necessidades educativas especiais a quem tem sido sonegado o direito a uma educação especial? Onde estão eles para defender o interesse destes alunos? E, não! Não são alguns! São cada vez em maior número! UM exame? Há alunos, muitos, que a única refeição que fazem é na escola! Onde está a vossa preocupação? Onde está a vossa indignação? Só porque não são do 12º e têm um exame para fazer? É verdade! Muito provavelmente nunca terão possibilidades de o fazer porque a fome não é o melhor para obter bons resultados escolares. E dificilmente terão possibilidades económicas de frequentar uma Universidade!

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  7. s dados da OCDE desmentem os sindicatos: os professores portugueses têm das menores cargas horárias.

    Sindicatos de professores e Ministério da Educação voltaram ontem a sentar-se à mesma mesa, desta vez para discutir aquela a que os sindicalistas chamam de "excessiva" carga horária dos docentes do ensino básico e secundário. Mário Nogueira, da Fenprof, diz mesmo que a realidade é que os professores trabalham muito mais horas do que as estipuladas por lei.

    Mas, de acordo com os dados da OCDE, os professores portugueses trabalham menos horas que a maioria dos seus colegas da União Europeia. Segundo o estudo ‘Education at a Glance 2009', um professor em Portugal trabalha cerca de 39 horas por semana, um valor que conta também com o trabalho de preparação de aulas e estudo individual fora da escola. A média dos países da União Europeia (UE) é de mais de 42 horas. Mesmo assim, onde se regista uma maior carga horária nos docentes portugueses é no tempo passado na escola: 34 horas para Portugal contra cerca de 30 para restantes países da UE.

    Estes valores são questionados pelos representantes sindicais que estiveram na reunião de ontem com o secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura. Para João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE), as realidades dos outros países são diferentes, uma vez que "há uma série de matérias burocráticas que professores dos outros países não têm, para além do facto dos nosso professores não terem direito a um espaço adequado para o trabalho fora da sala de aula". Para o dirigente sindical, a realidade mostra muitos professores a trabalharem 40 ou 42 horas por semana.
    paulo de sousa
    in diário económico

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    1. Como é que os profs do resto da OCDE é de mais de 40 horas quanto na maioria desses países a semana de trabalho é de 40 horas?????
      Um prof com 20 anos de serviço em França dá 15h de aulas por semana. Coitadinho trabalha muito! Um prof na Alemanha trabalha entre 25 a 28h que compreendem a carga lectiva e não lectiva. Coitadinho também trabalha muito! No Reino Unido trabalham 32h. Quer que continue ou quer comparar os professores portugueses aos dos países subdesenvolvidos. Segundo o relatório da OCDE, na maioria dos países os profs trabalham entre 3 a 5 horas por dia.

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  8. Se considera que um ordenado bruto de € 1800/mês é pouco, caia na realidade e veja quanto ganham os privados (esse ordenado é o dos chefes de serviço na minha empresa). O ordenado médio ronda os € 700 e também somos licenciados... e trabalhamos 40 horas, e só temos 22 dias úteis de férias.
    Adicionalmente, se fez greve, assuma que prejudicou os seus alunos e dispense-se de dizer que lhes deu apoio
    Enquanto mãe, não tenho dúvidas: quem fez greve esteve contra os meus filhos e contra mim e NUNCA terá a minha simpatia.
    Maria Sousa

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