Sofia, mãe-galinha, um bocadinho contra sua vontade...


Parece que a primeira palavra  que  vem à cabeça do meu filho Gonçalo quando ouve a palavra mãe é "galinha". Mãe galinha, portanto.
Eu assumo que sou. No entanto, para que conste, eu esforço-me muitíssimo para contrariar esta minha tendência de que " debaixo da minhas asas é que eles estão bem".
Ainda ontem, um dos meus tios convidou o Miguel  ir assistir ao jogo da seleção ( sub-21). Claro que o que me apeteceu dizer foi  que não, que ele tinha trabalhos e que era chato faltar às últimas aulas da tarde. Mas não foi o que fiz. Fui falar com o professor a pedir autorização para o mocinho faltar, preparei-lhe o cachecol e a cadeirinha para o carro e lá o deixei ir. 
Confesso que até ele regressar, perto das vinte e trinta, mil "pensamentos flash" passaram por esta loura cabecinha: " Ai, se ele se perde." " Ai, que o meu tio não está habituado a crianças" , " Ai, que o meu tio já tem mais de setenta anos e já não me lembro se ele continua a conduzir bem". Muitos ais sem fundamento, assumo.
Mas deixei-o ir e normalmente esforço-me por medir os prós e contras e por contrariar esta minha terrível mania de fazer filmes trágicos. Esforço-me porque tenho a certeza que tem mesmo de ser assim. Mas custa-me.

E não vale a pena dizer que quando eles crescem isto passa. É mentira. Vejo o exemplo das minhas colegas e sei-o também por experiência própria. Ainda no domingo, consegui ver o sofrimento nos olhos da minha mãe quando se despediu do Luís. Se fosse por ela, ele não ia.
 E sei que quando ela me viu a lacrimejar e me disse " Ai, se eu pudesse fazer alguma coisa para ele não ir...", ela  estava a ser o que sempre foi e o que eu acho que serei sempre também : Mãe-galinha.

 Mesmo que me custe um bocadinho a aceitar...

4 comentários :

  1. Eu também sou assim...mãe galinha e chorona!

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  2. não lhe pediste para te mandar um toque, assim que chegasse ao estádio? Não? e ainda dizes que és mãe galinha? beijinhos

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  3. pais galinhas também existem!

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  4. Mimos nunca são de mais , não os podemos privar de serem felizes , por causa dos nossos medos.
    Revejo-me , nos vossos comentários ,sou igual. ( Apesar do meu já ser adulto, mas solteiro e filho
    único ), sofro com as saídas ,mas tento controlar -me.
    Família Benfiquista

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