O episódio explicadinho e um agradecimento especial


Eu sou uma pessoa cuidadosa, mas a verdade é que como já não era a primeira vez, nem segunda, nem terceira que andava por Amsterdão, facilitei. Segundo me disseram depois, há pessoas que se encontram perto dos museus e que selecionam potenciais vítimas. Eu percebo porque tive a infeliz sorte de ser contemplada: mal saí da Casa de Anne Frank com os meus alunos, abri a minha mochila para arrumar um livro que tinha acabado de comprar e alguém deve ter visto onde eu tinha a carteira. Segundo me disseram mais tarde, é à saída dos museus que ocorrem mais furtos, porque as pessoas se sentem mais seguras, relaxadas e seguras.
Mas eu reafirmo...eu facilitei. Tinha deixado em casa do professor holandês todos os documentos dos meus alunos com medo que eles os perdessem e levei os meus e os do Miguel comigo; andava com a carta de condução na carteira sabendo que nem iria conduzir, tinha tudo junto num único local, quando me farto de dizer aos meus alunos para não o fazerem. Aconteceu, pronto. Parei num sinal vermelho, não dei absolutamente por nada, e uns segundos depois só ouvi a minha amiga perguntar qual a razão de eu ter a mochila completamente aberta.

Depois...o filme... Polícia ( em meia hora chegamos três na mesma situação) e contactar a Embaixada Portuguesa em Haia. Embora me tivessem dito que provavelmente com o documento da Polícia eu conseguiria regressar, receei arriscar por estar responsável pelos meus alunos e assim, dirigi-me à Embaixada de Haia onde respirei de alívio por ver que nada de  muitas burocracias me esperavam.

A verdade é que a professora holandesa que me estava a ajudar era um bocadinho pessimista: " Duvido que os documentos fiquem prontos a tempo...", " Vai demorar na Embaixada Portuguesa....",  " Não gosto nada da palavra esperança...", "

Contudo, mal entrei na Embaixada, uma funcionária simpática veio ao meu encontro e tratou logo de me tranquilizar. Tudo estava bem. Rodeada pela minha língua, por pessoas muito afáveis, simpáticas e que desdramatizaram a situação, tive tudo o que  precisava para suspirar de alívio e não me sentir culpada pelo sucedido.

Pois respirei fundo e vim de lá com os documentos prontos em três tempos. Acrescento: com os documentos prontos e com um orgulho desmedido nesta nossa maneira tão portuguesa que é nossa: ajudarmo-nos quando precisamos, não termos medo de dar um abraço a quem precisa, saber que não somos todos perfeitos e que um sorriso e uma palavra simpática pode ajudar MUITO ( para não serem só coisas boas, tenho de dizer que também vim de lá com menos euros na conta...).

Obrigada às funcionárias do Consulado Português de Haia. Nem imaginam como a professora holandesa ficou incrédula com o vosso profissionalismo e simpatia. Alguém me pode ter tirado os meus documentos na Holanda, mas ao mesmo tempo, com este incidente, devolveram-me um enorme orgulho de ser portuguesa!

Ok...podem achar esta minha maneira de ser muito estranha, mas eu sou mesmo assim...recuso-me a ficar azeda quando algo me acontece. Despistada....sim. Amargurada...nunca! 

4 comentários :

  1. Boa Sofia
    Grande consulado.
    Conseguiram surpreender a professora holandesa.
    Como eu percebo que os problemas nos tornem mais angustiadas, quando ficamos sem documentos, e vamos com alunos.
    Abraço
    Ana Bela

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  2. Já me fizeste rir Sofia!
    Fico tão contente com estas histórias pois também eu tenho um extremo orgulho em ser portuguesa!
    Somos únicos, desenrascados. Sempre conseguimos resolver os problemas e iremos resolver os que nos atormentam agora também!
    Beijinhos,
    Paula
    vidademulheraos40.blogspot.com.

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  3. Gosto desta tua faceta...distraídas, muito (eu sou muito mesmo) mas amarguradas , não thanks!

    Beijinho

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  4. Das vezes que la estive, também fui sempre tratada super bem! Todos os funcionários são de uma simpatia extrema.
    Ainda bem que ficou tudo resolvido! :)

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