O cadeirão do meu pai


Eu e a minha irmã temos andado a dividir mobílias e objetos dos meus pais, porque a casa de família vai ser remodelada pelo meu sobrinho. A minha mãe diz até que está contente por a casa dela ir ser habitada por quem ela tanto gosta e eu admiro o ar feliz que ela mostra por nós termos carregado as coisas dela/deles (não sei se com o meu feitiozinho eu era capaz...) para as nossas próprias casas.
Eu sei que são apenas coisas, mas o meu coração fica apertado ao ver o meu antigo quarto ser desmanchado, ao mexer nas gravatas e nos casacos do meu pai, ao ver que a casa dos meus pai já não é a casa dos meus pais.
Contudo, se eu quiser ser completamente honesta, já não era. Desde a morte do meu pai que não era...
Mas, dizia eu, mesmo sabendo que são apenas coisas, dói assim um bocadinho...
Adiante, Sofia. A vida prossegue.

A boa notícia é que eu fiquei com o cadeirão do meu pai. E tem sido tão bom para mim sentir que o lugar onde o meu pai passou horas infinitas,sentado e quase imóvel, está mesmo aqui ao pé de mim. Já me sentei nele vezes sem conta e até já o cheirei para matar saudades do meu pai...
Mas o melhor de tudo é que, e sinto-o enquanto escrevo este post, de cada vez que olho para trás de mim  sei  que, mesmo estando o cadeirão vazio, eu não estou sozinha! 

4 comentários :

  1. E isso só nos pode encher o coração e sossegar a alma, termos aqueles que amamos, de alguma forma, "presentes" :) Beijinhos

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  2. Fizeste-me chorar...assim nao vale.
    Beijinho

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