Viver numa aldeia, a homossexualidade e o verbo descomplicar-parte II

Por vezes, quando digo que sou católica, penso que as pessoas acham que eu sigo à risca todos os ensinamentos da doutrina. Pois, nem pensar! Sou uma mulher de fé, educo os meus filhos na fé cristã, vou à missa, rezo e acredito. Contudo, há assuntos que não têm discussão; um deles é a homossexualidade.

Assim, a propósito de uma conversa que tive com uma amiga (a quem eu perguntei se deixava de gostar de mim por ser católica), relembro aqui o que escrevi há mais de dois anos,


☺️

Eu vivo numa aldeia pequena desde os meus quase quatro anos, quando voltei de França. Mais tarde, vivi cinco anos fora, em Viseu e Góis, mas voltei. Não foi nada planeado... Calhou assim.
No entanto, algo que eu sempre aprendi é que é preciso saber viver numa aldeia. Melhor, alguém como eu, senhora de seu nariz e com feitio algo enviesado, precisa de saber viver numa aldeia e continuar sempre a lutar por ter horizontes abertos.
Vem esta conversa a propósito de, há uns meses, termos recebido cá em casa um grande amigo holandês. Ele costuma ficar cá em casa quando vem com os alunos e eu costumo ficar em casa dele quando me desloco à Holanda. Nunca houve qualquer problema e o Luís e eu sempre nos habituamos a receber amigos nossos estrangeiros. Mas, este ano, o Luís não estava por cá...

A minha mãe estranhou e mesmo que eu lhe dissesse que não se importunasse, que eu sou fiel, que ficasse descansada que o Pieter é homossexual e não tem nenhum interesse por mulheres, ela insistia que era melhor ela ficar a dormir no sofá. Mas não dormiu. 

Pois agora, eu e o Miguel ficámos em casa do Pieter, na Holanda. O Miguel conhece o Pieter há anos, mas foi a primeira vez que conheceu o seu companheiro. Dizia-me o meu pequenino que era estranho ir conhecer o companheiro do Pieter e, mesmo quando eu lhe repetia que era normal, que ele até via que na novela existia um casal homossexual, ele continuava a dizer que era estranho ver assim um casal "na vida real".

Contudo, mal entrou em casa do Pieter, a conversa da estranheza parou. Nunca mais se falou do assunto. E eu fico feliz por saber que, mesmo que o Miguel viva numa aldeia pequenina, tem horizontes abertos e encara a homossexualidade como deve ser encarada: algo normal.

10 de junho de 2014

7 comentários :

  1. Infelizmente isso não é questão de uma aldeia apenas. É de um País inteiro! Somos preconceituosos, ainda.

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  4. Orgulho em saber que saberemos ajudar os nossos filhos a ter horizontes abertos e a saber respeitar! engraçado que o meu nariz empinado e a minha mania de não dar confiança a ninguém para se meter na minha vida me afastou da aldeia. A verdade é que há coisas ótimas em viver numa aldeia mas a minha mãe tinha um ataque se um homem viesse dormir a minha casa sem o meu marido cá e porquê? o que diriam os outros? sempre a preocupação com o que os outros pensam...Sou católica e encontro na fé resposta para muitas questões, mas há coisas que não aceito.

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  5. Confesso que a mim Ainda me faz muita confusão! Mas aceito, sobretudo e principalmente acima de tudo que sejam felizes!!!
    MR❤️
    @sagadaemigracao

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  6. É urgente criar futuras gerações abertas à humanidade e à felicidade. cada um tem as suas escolhas e desde que não interfira com a liberdade dos outros, tem o direito de viver a sua vida como quer.

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  7. Ora bem! Vivo numa cidade do interior (quase uma aldeia) e tenho uma filha lésbica! Acham que me importa o que as pessoinhas daqui acham acerca? Nem pensar!!!!!!!!!! A minha filha e a companheira são recebidas em casa tal como os companheiro da irmã e do irmão! Sempre disse que um filho não se ama com condições. Ama-se e ponto final! orgulho-me, sem modéstia, desta atitude que tenho perante a vida. Coincidência ou não, foi justamente numa viagem a Amesterdão que comecei a ver com naturalidade os casais gays. No final de contas, o que importa é ser feliz com a pessoa que se escolhe para viver!
    PS: Já choquei colegas ao falar com toda a naturalidade "a namorada da minha filha....", bem mais novos que eu...

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