Confissões de adolescente #3

Monte Koli, agosto 2016

Cá em casa, um destes dias...
- Gonçalo, vamos a Fátima cumprimentar a Irmã Zé.
- Eu não posso ir. Vocês não sabem como é a vida de um estudante do secundário. O meu trabalho nunca acaba...
- Mas nós não nos demoramos...
- Mas eu tenho que estudar Matemática e fazer exercícios de Química...
- Gonçalo, nós vamos a Fátima de carro. É rápido...Poderias queixar-te se fosses a pé.
- Pois, se eu tivesse que ir a pé tinha que levar um livro em cada mão...

O Gonçalo acabou por ir connosco. Forçámos um bocadinho, mas ele compreendeu que a Irmã Zé, que muito me ajudou em Angola, merecia mesmo o nosso abraço. No final, vinha contente, a dizer que a Irmã Zé era mesmo corajosa e especial.Tinha esquecido, por algum tempo, a Matemática, a Química e a Biologia.
Lembro-me do meu tempo de estudante e não me lembro desta pressão, deste ter tanto que fazer, deste mal ter tempo para fazer o que se gosta.  Agora são outros tempos, dirão. Mas, a meu ver, nada mais fáceis...

1 comentário :

  1. No meu tempo de estudante já era assim (e já tenho 48 anos). A Matemática, a Química, a Física e a Biologia não me davam tréguas (as outras disciplinas também davam trabalho, mas não tanto como estas três... mais a pressão de ter uma boa média para entrar no curso pretendido). Lembro-me de não ter fim-de-semana, nem feriados e de organizar as férias do Natal, Carnaval e Páscoa de modo a poder descansar e passear, mas também de modo a adiantar todos os relatórios, resumos, etc. Vida de estudante de verdade não é fácil, não.

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