Amores nossos


Há histórias de amor que parecem  ser de todos nós, histórias de amor reais, histórias de quem não tem medo de viver (e escrever) o amor, histórias  que nos põem a torcer por um final feliz. A do MEC e da Maria João é uma delas. 


«Quando sair este jornal, a Maria João e eu estaremos a caminho do IPO de Lisboa, à porta do qual compraremos o PÚBLICO de hoje. Hoje ela será internada e hoje à noite, desde o mês de Setembro do ano passado, será a primeira vez que dormiremos sem ser juntos.

O meu plano é que, quando me expulsarem do IPO, ela se lembre de ir ler o PÚBLICO... e leia esta crónica a dizer que já estou cheio de saudades dela. É a melhor maneira que tenho de estar perto dela, quando não me deixam estar. Mesmo ficando num hotel a 30 passos dela, dói-me de muito mais longe.
...
O IPO consegue ser uma segunda casa. Nenhum outro hospital consegue ser isso. Podem ser hospitais muito bons. Mas não são como uma casa. O IPO é. Há uma alegria, um humor, uma dedicação e uma solidariedade, bem-educada e generosa, que não poderiam ser mais diferentes da nossa atitude e maneira de ser - resignada, fatalista e piegas - que são o default institucional da nacionalidade portuguesa. É graxa? Para que tratem bem a Maria João? Talvez seja. Mas é merecida. Até porque toda a gente que os três IPO de Portugal tratam é tratada como se tivesse direito a todas as regalias. Há muitos elogios que, não obstante serem feitos para nos beneficiarem, não deixam de ser absolutamente justos e justificados.

Este é um deles. Eu estou aqui ao pé de ti. Como tu estás ao pé de mim. Chorar em público é como pedir que nada de mau nos aconteça. É uma sorte. É o contrário do luto. Volta para mim.»


in Jornal Público 28 de novembro de 2011

10 comentários :

  1. O que acrescentar? Nada! Somente reter.

    Kiss

    ResponderEliminar
  2. lindo mesmo, que grande sorte tem esta Maria João.
    Tudo de bom para eles.

    Maggie

    ResponderEliminar
  3. Querida Sofia, eu concordo integralmente com o MEC: o IPO, é um hospital diferente dos outros hospitais. As gentes, a dedicação, o profissionalismo,o carinho, faz essa diferença. Sei, porque durante oito anos foi (também) a minha segunda casa.
    Quanto ao MEC, que conheço de "outros carnavais", só tenho a dizer: a idade faz-nos tão bem!

    ResponderEliminar
  4. Ainda há histórias de amor e o MEC adora a mulher, já da outra vez que ela esteve internada ele escreveu uma crónica lindissima.
    E sim, ainda temos bons hospitais, valha-nos isso!!

    Beijinho

    Violeta

    ResponderEliminar
  5. Espero que tenham acordado com um enorme sorriso de esperança!!!

    ResponderEliminar
  6. Fiquei com um nó na graganta...muito bonito mesmo. bj!

    ResponderEliminar
  7. Que bonito mesmo... fiquei sem palavras :)

    ResponderEliminar
  8. Uau...fiquei sem palavras!!!

    ResponderEliminar