Uma família com esperança - seis meses depois


Ontem, numa reportagem da TVI sobre emigração, falava-se que vai mais gente embora de Portugal por dia, do que nascem bebés aqui no território.
Já aqui disse que se há dois anos atrás me perguntassem se achava provável o Luís ( ou eu) emigrar, a resposta seria não. Agora, volvidos seis meses que partiu para Angola, a mágoa vai apaziguando um bocadinho e, embora a separação seja dura, há aspetos positivos que quero aqui referir.

O Luís, a nível profissional, sente-se bastante realizado, conhece pessoas de todo o mundo e tem aprendido muito.

A nossa relação ficou mais forte ainda. Não é mesmo treta, é verdade.

A nível monetário, não posso ser hipócrita. O Luís em Portugal  muito dificilmente ganharia o que ganha em Angola. E se diz o ditado que o dinheiro não traz felicidade, a verdade é que a falta dele também não contribui muito para a felicidade de uma família com dois filhos pequenos. Proporcionar ao Gonçalo e ao Miguel experiências que contribuem para crescerem saudavelmente pode não ter preço ( mas tem quase sempre custo$).

Podem perguntar-me se vale a pena o esforço de estarmos longe, mas eu ainda não sei a resposta. Para já, estamos assim até finais de Junho  e depois logo se verá. Apenas quis deixar aqui o meu testemunho, para que quem pondere partir não pense que é tudo mau. A separação é dramática e dura, mas não é impossível ter dias felizes...

12 comentários :

  1. Sofia,
    E disse que adoro os seus textos?!
    A questão é que já tenho nos rascunhos do meu blog um texto que tente que vá de encontro com a ideia deste e nao consigo. Enrolo-me toda.
    É caso para dizer que me tirou as palavars da boca.:-)
    O esforço é muito grande mas, a verdade é que num casal jovem como nós, o dinheiro faz muito falta.
    Em 5 anos de trabalho, como sempre estivemos empregados, é logico que angariamos algum dinheiro. Mas a verdade também é que nao é o suficiente para os objetivos que temos. Os creditos a habilitação estão uma desgraça e nao queremos nada com eles, queremos constituir familia e poder proporcionar o melhor, e atenção, nao é a nivel material, mas a sofia entende-me!
    Não gostaria para mim, ter de pagar uma prestação ate aos 60 anos, mas gostaria de ter algo meu.
    A mivel monetário, parece-me a mim que vale a pena, e concordo com a sofia nao podemos ser hipocritas. Quanto aos esforços que se tem de fazer, veremos. Não é um país fácil.
    A nível profissional para mim será uma grande aventura pelo que já tive a oportunidade de ver um pouquinho!:-)
    Beijinho*
    MR<3

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  2. O meu tio também está em Moçambique...a minha tia ficou cá, também é profesora, o meu primo mais velho está em Angola, o do meio está na faculdade de Medicina e o mais novo entrou este ano para a faculdade...ele vai embora de novo na proxima 4ª feira e ela ontem ligou-me já tão triste...e claro que sabemos que compensa a nivel monetário, mas as saudades são tramadas!

    Beijinh grande!

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  3. Concordo inteiramente consigo, Sofia! Nem tudo são desvantagens...mas as saudades...essas são imensas!

    Maria

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  4. Ainda bem que as coisas estão a "amaciar". E que linda foto!!

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  5. sou uma jovem de 27 anos obrigada a ficar desempregada e a procurar tudo o que aparecer à frente para ter dinheiro para as despesas. Tantas vezes me disseram "Porque não emigras?" sei que se emigrasse ia ganhar mais dinheiro, poderia poupar muito e voltar para cá e realizar os meus objetivos. Mas quem nos mandou embora merece que voltemos? quem não nos dá condições para viver mas sim sobreviver merece? Ultimamente ando muito triste, muito esgotada com os sacrificios que um cidadão tem que fazer para sustentar uma vida neste país.

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  6. É bom saber que há um lado bom.
    Também nunca desejamos uma situação dessas e no ano passado já enviávamos curriculos para todo o mundo.
    Quis o destino que não fosse preciso, mas estávamos prontos para um de nós partir, para onde nos pagassem pelo nosso trabalho de forma a conseguir mantermos 3 crianças pequenas.
    Desejo-vos muita sorte!
    Beijinhos aos 4!
    Nota: O mais velho é igual ao pai e o mais novo igual a ti!
    Fantástico!
    vidademulheraos40.blogspot.com.

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  7. Há sempre lados bons e menos bons. O meu marido está longe também agora, o objetivo é agora ir ter com ele mas ainda não sei quando pois estamos a espera de um bebe. Nasce cá ou là? beijinhos p ti e tu afamilia

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  8. Como me identifico com o que li...
    O meu marido esteve 4 meses e meio em Angola, com um ordenado baixo e em condições não muito boas. Aquilo que foi acordado em Portugal acabou por não se verificar na prática quer a nível de remuneração quer a nível de alojamento. E o que lhe foi dito foi que se não estava satisfeito que voltasse para Portugal que arranjavam logo alguém para o substituir... Mas como o meu ordenado é baixo e temos um filho para criar, lá teve ele que aguentar até conseguir arranjar um trabalho melhor remunerado. Ainda está em Portugal, mas brevemente irá regressar a Angola. Para mim foi a experiência mais difícil da minha vida até agora. Custa muito... mas o nosso sentimento ficou ainda mais forte.

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  9. Se eu tivesse uma boa oportunidade, não pensava duas vezes.

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  10. Nada é impossível :') Lindo post!

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  11. Essas situações só mesmo quem passa por elas pode valorizar...No meu caso pessoal conheço muita gente a trabalhar em Angola, a ganhar 10 xx mais (sem exagero) do que ganham aqui mas que mesmo com mordomias não se conseguem adaptar á realidade angolana.mas na tv também vejo muita gente realizada. Pessoalmente gostaria de tentar a minha sorte noutro país, Inglaterra ou EUA, mas teria sempre que ser com o meu marido:estamos juntos ha quase 16 anos, não temos filhos e acabamos por nos apegar muito ao outro alias, somos demasiadamente apegados um ao outro ...ehehehe); ás vezes ele tem que estar fora uma semana ou pouco mais que isso e eu parece que ando desorientada, não tenho alento para nada, sinto-me completamente só...por isso respeito muito as familias que vão vivendo o seu dia a dia separadas fisicamente, até porque conheço bastantes assim.Beijinhos enormes!

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